quarta-feira, 28 de abril de 2010

Som de Aço - O Bêbado e a Equilibrista

A coluna Som de Aço dessa semana vai falar de um período onde se produziu muita música de protesto no nosso país: A Ditadura Militar. Assista o vídeo da canção de João Bosco e Aldir Blanc cantada por Elis Regina (do tempo em que passava clipe no Fantástico):



Retirei a interpretação e os principais pontos do "Portal Lusófono da Itália", o Ponto de Encontro.

Existe uma mensagem contra o regime de ponta a ponta da música, vamos por etapas. "Caía a tarde feito um viaduto" faz referência ao Viaduto da Gameleira em Belo Horizonte, que, em 1971, desabou e causou a morte de muitas pessoas, mas o governo tentou acobertar a história, e as famílias jamais foram indenizadas. Outro trecho bem interessante é esse aqui: "A lua (o parlamento), tal qual a dona de um bordel (Câmara)/Pedia a cada estrela fria (generais que possuíam o poder) um brilho de aluguel (espaço político)". Logo após essa parte seguem dois versos que exprimem um dos piores lados da Ditadura: "E nuvens (torturadores, comparados a nuvens por serem intocáveis na época), lá no mata-borrão do céu/ Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco". Faço uma pausa agora para explicar este último trecho. Mata-borrão era um instrumento antiquado usado para eliminar as manchas da escrita, manchas essas que, na música, representam os rebeldes que lutavam, e o "mata-borrão" seria a polícia encarregada de realizar as perseguições e torturas, ou seja, tirar as manchas. Na música são citadas as "Marias e Clarices", mulheres que perderam seus maridos graças às torturas. Maria era a esposa de um operário chamado Manuel Fiel Filho, que foi torturado e morto em 1976, já Clarice era a mulher do famoso jornalista Vladimir Herzog, que também foi morto e torturado pelo DOI-CODI, uma espécie de Gestapo da nossa ditadura.

Sobre o título resolvi separar um parágrafo. Bêbado é uma metáfora utilizada para designar poetas, músicos, cineastas e artistas em geral, que ,"embriagados de liberdade", nadavam insistentemente contra a corrente do regime. Equilibrista era esperança em relação à abertura política, que ganhava força durante as eleições (para cargos do legislativo), ocupando as ruas com passeatas, e ameaçando o poder militar.

João Bosco e Aldir Blanc - João Bosco, nascido na cidade de Ponte Nova-MG, e Aldir Blanc, nascido no Rio de Janeiro-RJ, formaram por anos um das mais sólidas parcerias da música brasileira. Você pode estar confuso, achando que nunca viu nenhuma interpretação dessa dupla, mas entenda que os dois apenas compunham. E compunham pra valer mesmo, pois fizeram em parceria mais de 100 canções.


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Um comentário:

Louella Trindade disse...

Nunca tinha parado pra analisar a letra! Sou fã de músicas que criticam a ditadura, e não só ela, mas como também fazem críticas do governo em geral! Parabéns, gostei muito :D